
Não sei se é normal, mas tenho um medo absurdo de me apaixonar novamente. Sabe, depois de tantas mágoas obtidas por amar, quando consigo esquecer de uma vez, o coração tenta de mil e uma formas proteger-se para que não possa cair em outra armadilha do amor. Quando começo a ter uma aproximação maior de outro alguém, fico trêmula só de pensar em me apaixonar. É como se eu voltasse no tempo da infância, onde o medo pelo o escuro era indescritível. E quando começo a escutar aquelas frases bem clichês do tipo: “Eu te amo, nunca vou te abandonar” “É somente você, sempre será você”, logo fico preocupada. Temo por saber que ficarei pensando o dia inteiro naquelas frases que faz qualquer um sorrir, temo por ter noção de que talvez pudesse me apaixonar. E sabe quando de repente bate aquela saudade? Lembramo-nos daquelas frases que escutamos, e regredimos para quem ousou em dizê-las. Mas outras lembranças retornam… Recorda-se daquele amor vivido? Aquele que compartilhou com quem mais amou aquele que um dia existiu. Porém era só o meu amor, amava no singular. Eu sonhava que fosse um amor recíproco, um amor do qual fosse de se orgulhar ao contar para os outros. Mas era o oposto, o inverso dos meus planos. Tudo que eu pensava em poder falar, se transformava em um pesadelo interminável. Sentia que mais nada daria certo pra mim, todo e qualquer amor que estivesse a me oferecer não seria verdadeiro. Será que essa incerteza é só minha? Será que só eu questiono sobre isso? Deixo essas perguntas capazes de enlouquecer qualquer um. Naqueles momentos em que a música nos serve como terapia, um tratamento para tentar obter a cura daquelas feridas agravantes. Era necessário uma cirurgia, com o bisturi para costurar aquele buraco que foi aberto pela dor. Um meio complexo, mas já estava ficando em estado de decadência. O ardor causado pela ferida era enorme, mas por muito tempo nada demonstrei. Estava piorando a cada dia, parecia que a cada amanhecer aquele buraco terrível crescia. Que espanto era o meu! Como poderia crer no que se era visto? Uns diriam que era impossível, mas os que já sentiram aquela dor estariam tentando curar, pois só eles sabiam como doía. Dava dó só em olhar… Aquelas olheiras profundas no rosto, aqueles lencinhos nas mãos, aquele velho diário de desabafo quando o silêncio habitava-me e só através das palavras era possível expor o que ninguém estava desposto a escutar, ou nem se importaram quando clamei e gritei por ajuda. É complicado se deparar com uma situação dessas, deve-se avaliar quantas vezes for necessário o que se for falar, para não magoar ainda mais. Pensava em tudo de ruim que já me havia acontecido, os momentos de alegrias eram deteriorados da minha memória. Sei que parece louco, mas é assim que acontece. Por mais que tentem fazer surgir um sorriso, fazer com que os olhos se abrissem um pouco e que eu fosse capaz de avistar a luz, não tinha jeito, nada me fazia levantar daquele chão. A fé nem se era visível mais… A esperança já havia ido embora faz tempo… O sorriso? Ah, o verdadeiro nunca existiu na verdade. Os que apareciam de vez em quando eram apenas para que ninguém se encarregasse de ter preocupação com o que eu estivesse sentindo. Mas depois daquela rotina monótona, veio na cabeça à ideia de mudar. Tornar tudo que era triste, em alegria. Tudo que era falso, em verdadeiro. Tudo que era implícito, agora era a vista. Havia chegado a hora de mudar! Ao invés de colecionar dores, colecionar alegrias. Daquelas que fizessem um bem alastrante em mim. Chegou a hora de dar um basta em todo sofrimento, era a hora de finalmente ser feliz. Nunca deixar de sonhar, afinal o que seria de nós se fossemos incapaz disto? Letícia (cabana de Ilusões)







